02/02/2020

Photo by Kelly Sikkema on Unsplash


Em janeiro eu estive num limbo, onde o tempo estava congelado e eu não sabia ao certo há quanto tempo eu estava lá ou quando sairia. Coisas foram acontecendo e os dias iam minguando, areia na ampulheta, terra à vista.

É normal que eu sempre pense em janeiro como um ano dentro de um mês, tão longe do resto dos outros onze meses, mesmo que tão próximo ao mesmo tempo. Geralmente eu me sinto subindo uma lenta escada rolante, refletindo e tentando planejar como será a descida pelo tobogã -- que começa em fevereiro e só estaciona em dezembro -- dessa vez.

Ao longo da descida, as coisas vão mudando. No fim, eu conto quantos itens do meu planejamento inicial sobreviveram. Spoiler: não são muitos.

2020, porém, é um daqueles anos. Aqueles em que eu já sei de antemão que nenhum planejamento vai servir. Foi assim em 2016, quando me mudei para começar a faculdade. E é agora, quando me encaminho para o último ano... da faculdade, dessa cidade, dessa fase. Eu nem consigo pensar que 2021 seja uma possibilidade.

Hoje, em fevereiro, eu percebo isso mais claro que nunca. Meu aniversário daqui quatro dias é, em grande parte, responsável por isso. Trocar de idade leva todo os resquícios do último ano embora. Não tem mais volta.

É nesse mês que eu realmente vou subir na escada rolante. Ajeitar os cintos pra descida que será o resto de 2020. Ou o resto da minha vida, aparentemente.

Ano que vem, a essa época, estarei em minha colação de grau. Deus, não quero nem pensar. É tudo muito escuro.

Preciso concentrar em 2020. Fazer minha lista de metas, que nem fiz ainda. Sempre faço em janeiro, mas esse ano janeiro nem existiu. Não sei ainda se quero descer, mas faz alguma diferença agora? Já estamos subindo.

Vejo-os no topo.


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