- sábado, dezembro 24, 2016
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- quinta-feira, dezembro 01, 2016
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A vida é uma linha muito frágil, e a tesoura da tragédia sempre está mais próxima de nós do que imaginamos.
Obrigada por tantos anos alegrando a minha cidade e nos enchendo de um sincero orgulho. Era um time de sonhadores que jogavam com amor. Por causa disso, fizeram coisas inacreditáveis.
Vocês não serão esquecidos.
- terça-feira, novembro 29, 2016
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Crônica escrita em maio de 2016.
Ele se foi há alguns dias. Sua última mensagem visualizada foi mês passado. Em nossa última conversa, não me despedi corretamente. Foi tudo rápido demais. Jamais esperaria. A vida é brusca de forma cruel.
Causa da morte? Um mal súbito. Do nada. Cruel.
Do nada os laços foram rompidos, os assuntos acabaram, o interesse desapareceu. Inicialmente, todos pensaram ser uma ou outra virose de ciúme ou uma crise nervosa de abandono, mas não. Foi da mesma forma difícil não procurar a culpa em mim. No fim, entretanto, a coisa toda foi bem natural e espontânea. Uma pena que nada houve o que pudesse ser feito.
Em pouco tempo, um enterro foi organizado. Era o mais certo a se fazer. O corpo não poderia ficar simplesmente lá, esperando. Não havia mais nada lá para esperar. A parte mais importante já tinha ido embora. O que importava era o fôlego, e fôlego já não saía de suas narinas.
A visão ainda é clara em minha mente. Ele estava lá, ao meu lado, frio. Frio como nunca imaginei que pudesse ser. Seus olhos não me viam e seu cérebro não me reconheceria outra vez. Tampouco abriria a boca para me dizer qualquer coisa. O que eu queria, afinal? Ressuscitar mortos? Não possuímos todas as capacidades que pensamos possuir -- e eu preciso ser relembrada disso constantemente.
Era hora de dizer adeus. Não um adeus para aquele corpo sem vida que eu via diante de mim, mas adeus ao meu velho amigo que existia ali antes de desaparecer. Eu nunca mais o verei.
A chuva caía e eu me demorava ali mais tempo que o necessário. Eu simplesmente não tinha vontade de ir embora. O mundo parecia sem graça demais para retornar. Me virei para os outros presentes. Ali estavam também alguns amigos em comum, conhecidos e outros traunsentes. Recebi uns tapinhas nos ombros daqueles que ainda estavam vivos. É reconfortante saber que ainda os tenho aqui. Disseram que eu não deveria fixar meus pensamentos nisso. Essas coisas acontecem. Pessoas morrem. E você nunca pode imaginar o que na terra poderia causar um mal súbito em alguém que nos parece tão saudável e normal vinte e quatro horas antes.
Sei que eles têm seu fundo de razão, e um dia balançarei minha cabeça em concordância, carregando comigo a leve impressão do que uma vez fora um sentimento. Mas, naquele momento, eu não poderia fazer outra coisa além de fixar minha mente no que estava acontecendo enquanto o caixão descia ao seu novo lugar de descanso. É o tipo de coisa a qual você não se acostuma, não importa quantas vezes se repita durante sua vida. Você simplesmente não se acostuma a perder amigos.
Cheguei em casa e escrevi... isso. Minha despedida correta. Ele com certeza jamais a lerá, mas a deixarei em seu túmulo da mesma forma. Poderá sentir o leve peso sinalizando a presença do papel, porém sem alguma vez entender o que ele quer dizer. Sentirá o que sinto agora.
No outro dia, comentaram comigo -- talvez numa tentativa azarada de me animar -- que cientistas estão buscando desenvolver a pílula que reanimaria mortos. A pílula, também brusca e cruel à sua maneira, prometeria trazer meu amigo de volta com pequenas doses de conversas casuais e vazias, coincidências que nos obrigariam a se cumprimentar e alguns meio sorrisos assemelhados a espamos que nada realmente queriam dizer, mas talvez provocassem o efeito reflexo. Pequenas ações, assim, retirariam meu amigo de seu atual estado imóvel para alguém que já responde com o mínimo de consideração.
Agradeci o esforço de meus benfeitores, mas fechei o artigo com o ódio de quem quer esmurrar a parede. Não, não quero soluções rápidas e eficazes. Rápido e eficaz já foi o mal súbito que levou meu amigo. Depois, não o quero como um projeto de zumbi. Rígido, desconfortável, faltando pedaços. Sem contar o risco de me ferir de novo. Completamente impraticável.
Deixe as coisas como estão. É um processo lento e difícil, mas muito eficiente em sua natureza. Breve, restará o silêncio. E o silêncio me ajudará a manter as melhores lembranças de nós -- o contrário do que faria um zumbi inútil tentando devorar o que restou de mim.
Descanse em paz.
- sábado, setembro 03, 2016
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Então hoje meus pais e eu decidimos conhecer as cidadezinhas
que circundam Toledo.
Procurando por um primo do meu pai (nosso sobrenome é
difícil de ver por aí, rsrs), acabamos em Santa Helena. Toda pequenina, toda
ajeitadinha. Aquelas ruas largas, floridas, com lojinhas de roupas misturadas a
sorveterias e mercadinhos, cujos donos ficam sentados nas portas em cadeiras de
praia observando as largas ruas quase vazias. E esse padrão se repetiu nas
outras pelas quais passamos durante o caminho.
Tem sol, mas tem vento. Tem sol, mas tem sombra. Tem sol,
mas tem chimarrão.
Pelos últimos quatro anos, morei no MT por motivos mais
fortes que eu. Por mais que muita gente consiga se adaptar aos lugares e
culturas novas para que se mudam, eu não consegui. Foram duros quatro anos
vivendo sob uma temperatura que não me fazia bem, numa cultura que não era a
minha e dentro de uma casa na qual eu não me sentia em casa. Pela primeira vez,
aos meus dezesseis anos – lá para 2013 –, precisei admitir que sentia falta do
meu lar. Do meu estado. Das coisas que tinham cheiro de infância e que
combinavam com as minhas memórias.
Precisei admitir que, apesar de todos os pesares possíveis,
eu tinha um lar... e eu não estava mais lá.
É claro que minha vontade era voltar, mas a vida gosta de
dar suas voltas e acabei parando alguns quilômetros antes de onde eu vim,
estacionando aqui mesmo, no Paraná. Aqui onde eu nunca poderia imaginar que
pararia. Embora não tivesse aceitado tudo tão bem no começo por pura teimosia,
agora começo a perceber que gosto daqui. Se parece com minha cidade em muitos
aspectos e não tanto em outros. Mesmo assim, diferente do Mato Grosso, eu não
sinto vontade de fugir. Eu sinto uma pequena vontade de ficar.
Pequena e crescendo. Hoje, caminhando por calçadinhas
coloridas e visitando familiares desconhecidos, peguei-me pensando nisso. Não é meu primeiro lar. Nunca será como
ele. Mas eu quero fincar estacas aqui. Passei tanto tempo focando em retornar
para minha antiga cidade que nunca pensei que poderia realmente encontrar esse sentimento
de se “pertencer” em outro lugar. Como uma segunda casa, depois de muito tempo
como andarilha expatriada. É novo. Oferece novas oportunidades. Livre de
memórias desgastadas. E pode perfeitamente viver em harmonia com a minha terra
natal.
Resumindo, aprendi três coisas hoje.
Permita-se sentir falta da sua casa.
Deixar o ninho, literal ou metaforicamente, é um processo
pelo qual todos nós vamos passar em alguma altura de nossas vidas. Alguns de
forma mais intensa que outros. Nem por isso você deveria fechar seus olhos com
raiva e gritar para os quatro ventos, “ó mundo, revele-me seus segredos, pois
sou um ser humano desapegado e pronto para conhecê-lo!”. Não. Isso não existe.
A não ser que você odeie muito o lugar de onde veio – embora, nessas condições,
acredito que haverá algum lugar que você considerará um lar substituto e
sentirá falta dele quando tiver que partir. O ponto é: não finja que não dói.
Não banque o durão ou a durona. Não diga a si mesmo que suas
lembranças de criança brincando na terra ou o cheiro da padaria perto da sua
escola ou as músicas bregas que seus vizinhos escutavam não importam mais ou
não fazem diferença na sua vida. Elas são parte de quem você é. Cada detalhe do
lugar onde você cresceu o afetou e o tornou a pessoa única que você é hoje.
Casa sempre terá sua aura de casa. Não importa se é mesmo uma casinha com
jardim, um apartamento apertado numa cidade grande ou aquele posto colorido por
onde você passava quando estava sempre viajando com seus pais. Ou o caminhão
deles. Não importa. É parte de você. Não a esqueça.
Procurar um novo lar não é errado.
Como dito, chegará a hora de partir. Você sentirá a saudade,
já que se permitiu isso. Mas... a vida é uma surpresa constante. Pelo caminho,
um novo lar surgiu. Seja por pura coincidência ou porque você esteve mesmo
procurando por ele: ele apareceu. Não se sinta mal por isso. Se seu apego ao
seu primeiro lar é grande, é normal que isso aconteça. Mas não, não há razão
pra isso. O mundo é grande demais e a vida é curta demais para ficar em um só
lugar para sempre. Conheça, explore, experimente. Talvez você descubra que se
encaixa melhor aqui do que lá. Mistérios... desvenda-os.
Nenhum lugar será como nosso lar. E isso não é uma coisa ruim.
Ah, esse clichê. Coloca nossa terrinha natal acima de
qualquer lugar no planeta. Justo, diria. Mas não tão absoluto quanto a frase
quer fazer soar.
Você andou por aí até se ver diante de um novo lugar.
Fascinou-se por ele. Mesmo assim, manteve em mente que ele é diferente.
Perfeito. Você não pode esperar as mesmas lojas, aromas, pessoas e costumes que
você conhecia. Aqui você é um migrante. Veio de fora. Um novo alguém. Essas
pessoas nunca o viram e você nunca as viu. Ou seja: um rio de oportunidades
aguarda que você pule dentro dele.
Hora de tentar de novo o que não deu certo antes, ainda lá.
Ou então tentar algo totalmente inédito. Renovar-se. Aproveite o que essa
cidade lhe oferece de surpreendente. Assuma os riscos. Aprenda. Talvez aquilo
que você jamais aprenderia em outro lugar.
Quando você sentir falta de um mundo que lhe soe familiar, é
só voltar para casa. Ela sempre estará lá... e também dentro de você. ;)
-
p.s.: ah, Feliz Dia dos Pais para todos os que já encontraram seus lares e também para aqueles que ainda estão procurando.
- domingo, agosto 14, 2016
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Manter um blog é uma ideia que me retorna à mente o tempo
todo.
Parte de mim acreditava que depois de tantas tentativas
furadas – que tiveram início faz um tempinho, lá pelos meus doze anos – eu já
deveria ter desistido. Não seria uma novidade, uma vez que desisto fácil de
quase tudo. Mas, com a escrita, a mágica é diferente. Explicação pura e
simples: a escrita é sempre uma novidade. É sempre uma floresta que revela
outra clareira. É sempre essa escadaria em espiral que abre uma nova paisagem a
cada degrau superado. É sempre essa melodia com variações distintas e, ainda
assim, familiares.
E é sempre a forma que eu acabo me expressando, de uma
maneira ou de outra.
Foi pensando nisso que, em uma madrugada após um dia
exaustivo de provas e ouvindo músicas antigas do 3 Doors Down, decidi que era
um bom momento para tirar o pó da minha conta no blogger e tentar de novo.
Endireitei-me na cama, de frente pro meu notebook e escrevi. Talvez umas duas
mil palavras. Eu só precisava escrever. Faz bastante tempo que fiz isso pela
última vez. Três anos, pra ser exata.
Costumava escrever todos os dias. Era quase sagrado. Aos
quinze, minhas fanfics eram meu maior tesouro. Minhas crônicas. Minhas poesias.
Mas, como tudo na vida, algo deu errado. A vida deu errado. O céu fechou pra
tempestade e eu me molhei nela. E molhei tudo o que eu escrevia. Tudo perdeu a
graça. Eu não encontrava ânimo para desenvolver personagens em cenários e
diálogos quando mal tinha ânimo para levantar da cama pela manhã.
É claro que as ideias voltaram. Nunca se foram, de fato.
Mesmo me arrastando, me agarrei a uma delas. Criei os personagens, a trama, o
cenário e continuei desenvolvendo-a até o dia em que estivesse pronta novamente
para escrever. Bem... esse dia não chegou. Quem parou no tempo fui eu.
Esperando o céu abrir de novo. Esperando luz do sol pra escrever, quando, na
verdade, eu poderia ter acendido uma vela.
De lá para cá, o céu se abriu e fechou várias outras vezes,
mas eu não necessariamente voltei a escrever. O medo já tinha me pegado. Não
foi por mal. Eu só queria que tudo estivesse perfeito, mas nunca estava!
Ok. Uma hora a ficha caiu. Ela caiu quando bateu a saudade
de escrever. Saudade em forma de avalanche. Uma agonia. Pra quem só escrevia no
computador, o caderno, o bloco de anotações e até o celular tiveram que servir.
Tinha muita coisa dentro de mim implorando pra sair e eu não deixava. Estava
esperando a chuva passar. Estava esperando a perfeita inclinação da luz solar
sobre a folha de papel para começar. A inspiração.
Tive que entrar em um acordo comigo mesma: eu precisava
voltar a escrever, fosse lá o que fosse.
Minha história não poderia ser. Quero transformá-la em livro,
por isso continuo planejando. Um trabalho delicado. Escrevê-lo nas condições em
que me encontrava seria como pintar uma porcelana com um martelo. Tinha que ser
outra coisa. Algo em que pudesse ser rápida e sincera, sem pensar em plots ou estrutura. Tinha que ser como
uma pílula e não uma refeição completa.
Tinha que ser um blog.
Nada demais. Eu só teria que colocar minha cara na web de
novo desde os meus catorze anos sem me esconder atrás da narração de uma moça
do início do século vinte que nunca existiu. E qual a temática? Ah, sei lá.
Minha vida. Aquela mesma. Que deu errado. Que nem eu entendia. Que eu realmente
queria que fosse perfeita, mesmo sabendo que isso nunca aconteceria.
Isso foi ainda ano passado. Decidi esperar mais um pouco. Eu
estava uma bagunça. Transição do ensino médio para uma faculdade incerta. Morar
em um lugar novo. Conhecer pessoas novas. Sair de casa. Tudo isso ao mesmo
tempo em que minha vontade de escrever me pressionava. Certo, pensava. Vou escrever.
Meu computador é cheio de artigos dessa época. Textinhos que
ficavam escondidos esperando o dia em que tudo ficaria bem e, só então, quando tudo estiver bem, volto a
criar um blog.
Minha vida se ajeitou aos poucos. Mudei. Entrei para a
faculdade. Morei sozinha por loucos três meses. Mas nem tudo estava certo
ainda. Por certo, entenda como eu queria.
Ainda assim, naquela madrugada que iniciava o dia treze de abril, algo tinha
mudado. Algo na minha cabeça tinha mudado.
Cansei de esperar. Eu precisava escrever. E continuei
escrevendo aquele post gigante noite adentro, só pra descobrir, logo pela
manhã, que, talvez, as coisas não
deveriam ser feitas daquela forma. E que aquele post era uma bosta.
Para alguém tão enferrujada quanto eu, planejamento seria
necessário. Hey, e eu sou boa nisso! Comecei a preparar o caminho. Ensaiar
tudo. O céu não queria clarear? Tudo bem. Instalei lâmpadas por tudo. Ajeitei
tudo. Eu não ia sofrer mais pela escuridão. Continuava chovendo? Ótimo! Melodia
numa noite silenciosa – inspirador. As coisas não eram perfeitas, mas eu ia torná-las
quase isso.
Agosto. Dia 9. Um mês que pra mim significa mudança. E o meu
número favorito, por ser o último estágio antes de um algarismo redondo. É esse
o dia.
Planejado. Acertado. Porém, ainda faltava uma coisa: o
primeiro post.
Pensando muito, decidi deixar para o grande dia. Uma coisa
bem espontânea. Às 23:30. Lovestrong.
da Christina Perri estourando nos meus ouvidos. Pra ser sincera, eu nem sabia o que escrever, mas tinha uma sensação de paz e esperança
me preenchendo. No meio da tempestade, eu fiz uma cabana. E voltei a escrever
aqui mesmo. Depois de tanto tempo.
Opa. Parece que acabei de dar uma nova definição à palavra “perfeição”.
E eu gostei dela.
---
P.S.: bem-vindo ao Meia Ironia! C:
- terça-feira, agosto 09, 2016
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